AVC: Há algum segredo para navegar nesse mundo? Você lembra a você mesmo que as pessoas com quem fala estão tão entrosadas quanto você?DD: Bem, eu acho que depende do jogo que as pessoas estão jogando. Algumas pessoas jogam um jogo artístico, e estão fazendo arte e isso tem regras diferentes. E algumas pessoas recebem pagamento, o que é legal também. E tem muitas pessoas abaixo da linha que estão recebendo pagamento, e você tem que aparecer e trabalhar para eles também, então... Assim como cada show tem o seu tom, cada show tem pessoas diferentes jogando diferentes jogos. Não digo “jogo” pejorativamente, eu quero dizer, são estórias diferentes que contamos para nós mesmos quando vamos trabalhar.
House Of D (2004)—“Tom Warshaw”DD: Eu peguei um script chamado “Yoga Man”, bem ao estilo anos 70, sobre um anti-herói, bastante parecido com Shampoo, em um estúdio de Yoga. E eu trabalhava com um treinador de atuação chamado Larry Moss, me preparando para atuar em algo que nunca havia feito, em um filme que ainda não estava pronto, mas que eu ainda gostaria de fazer um dia. E Larry havia visto um episódio de X-Files que eu tinha escrito e dirigido, e disse: “Sabe, você deveria ter mandado seu agente enviar esse episódio para todos, por que é o que você deveria estar fazendo, escrevendo e dirigindo. O que conseguiu? O que você quer escrever e dirigir?”. Eu entreguei Yoga Man para ele e na semana seguinte nos encontramos e ele disse: “Bem, isso é bom, mas acho que você tem algo melhor. Tem algo mais que você se interessa?”.
E contei que tinha umas idéias sobre uma estória que se passava em Nova Iorque nos anos 70. Basicamente, a imagem que vinha à minha mente era um tipo de conto de fadas sobre um garoto que não tinha alguém adulto para conversar, pois perdeu seu pai, não conseguia achar sua mãe, então falava com uma mulher fora de vista, bem ao estilo Rapunzel ou algo assim, presa em uma torre. E tudo girava em torno do “Women’s House of Detention”, que era uma torre numa cidade, por mais irreal que pudesse parecer.
O filme é sobre tentar descobrir quem pode ser essa mulher sem face, e é um filme crescente, nos modos de Cinema Paradiso. E o fato da verdadeira “House of Detention” ser um jardim agora me parece uma linda metáfora natural. Se tivesse inventado isso, seria muito precioso, mas é a verdade; a prisão agora é um jardim. E eu queria contar uma estória que honraria a jornada daquele menino, sobre como sua prisão se tornou um jardim. E quando terminei tudo, olhei e Larry estava chorando. Depois, descobri que Larry chorava por tudo, mas na época, achei que era um sinal, então voltei e fiz de “House of D” minha prioridade. Queria que fosse parecido com Cinema Paradiso, e queria fazer um filme ao estilo americano-europeu fora de época. E acho que foi o que fiz.
AVC: Você ficou decepcionado com as reações sobre filme? Ou só feliz por ter feito?Bem, os dois. Digo, você sempre quer que todos digam que você estava ótimo cada vez que faz alguma coisa. Acho que é a natureza humana. Eu gostaria que mais pessoas tivessem visto, sabe... não fiz para mim. Não fiz para deixar na minha estante e dizer: “Ei, eu fiz isso e ninguém viu.”. Então não é tanto a reação da crítica, por que isso se desfaz – é só barulho que acontece, às vezes – mas queria que mais pessoas tivessem visto.
Fonte: The A.V. Club
Tradutora: Yayá
Parte 1 da entrevista